O quanto a saúde mental pode influenciar na jornada da tentante?
- fernanda imperial
- Jan 22
- 2 min read
Ansiedade, medo, culpa, comparação, sensação de fracasso e um cansaço emocional profundo são sentimentos frequentes no consultório. E não, isso não é sinal de fraqueza. É uma resposta humana a um processo que envolve expectativas, tempo, corpo e sonhos.
O Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre saúde mental, nos convida a falar sobre isso com mais clareza: cuidar da mente não é opcional na jornada da tentante, é parte do cuidado reprodutivo.
A sociedade costuma tratar a gravidez como algo simples, quase automático. Mas quem está tentando engravidar sabe: o processo pode ser solitário e silencioso.
Perguntas como:
“Por que ainda não aconteceu?”
“Será que o problema é comigo?”
“Meu corpo falhou?”
vão se acumulando mês após mês. Em tratamentos de reprodução assistida, essa pressão costuma aumentar: datas marcadas, ciclos cancelados, resultados inesperados e a constante sensação de estar “correndo contra o tempo”.
Tudo isso impacta diretamente a saúde mental.
Saúde mental não causa infertilidade, mas influencia toda a jornada!
Influencia a forma como o corpo responde aos estímulos, como a paciente vivencia o tratamento e como lida com as decisões ao longo do caminho.
O estresse crônico, por exemplo, pode alterar padrões de sono e alimentação, aumentar níveis de cortisol, intensificar sintomas físicos (dor, fadiga, tensão). Na prática, isso não significa que “relaxar engravida”, mas sim que cuidar da saúde mental melhora a experiência, a adesão ao tratamento e a capacidade de atravessar esse processo com mais equilíbrio.
Corpo e mente não caminham separados
Hoje, a medicina reprodutiva entende que corpo e mente são indissociáveis.
Cuidar da saúde mental não significa substituir tratamentos médicos, significa integrar o cuidado.
Quando a paciente se sente acolhida, informada e emocionalmente assistida ela entende melhor o processo, toma decisões com mais clareza, consegue atravessar resultados difíceis com mais suporte, além de sentir-se menos sozinha.
Isso é medicina baseada em evidência e em humanidade!
Buscar apoio psicológico não é sinal de que algo está errado, e sim de que você está se cuidando.
Alguns sinais de alerta:
- Ansiedade constante ou crises frequentes;
- Insônia persistente;
- Choro recorrente;
- Sensação de culpa excessiva;
- Dificuldade de manter rotina;
- Pensamentos de desistência acompanhados de sofrimento intenso.
O acompanhamento psicológico especializado em fertilidade pode ser um grande aliado antes, durante ou depois dos tratamentos.
O Janeiro Branco nos lembra que saúde mental é saúde e para quem está tentando engravidar, isso significa se permitir sentir, falar, pedir ajuda e entender que sua jornada não precisa ser solitária.
Cuidar da mente não garante resultados, mas transforma a forma como você atravessa o caminho. E isso já é um enorme passo.
Dra. Fernanda Imperial | CRM 141770-SP




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